O Blender como editor de vídeo




blendervelvets

Aviso: Desde dezembro de 2014, os novos complementos criados para edição de vídeo em Blender são documentados em um site próprio, o Blender Velvets (em português, inglês, espanhol e francês). O Blender Velvets tem uma seção própria de downloads, mostrando as versões atuais de cada complemento e permite assinar o site para receber notificações sobre quando os addons são atualizados (atualmente, a única forma de fazer isso). A documentação contida lá substitui completamente a que está nesta página, com seções dedicadas a cada complemento. Novas atualizações serão centralizadas apenas por lá.



Índice




Introdução

blenderlogo github_blendervelvet

Existem várias vantagens em usar o Blender como editor de vídeo em vez de outros programas livres:

  1. O Blender é multiplataforma, ou seja, roda em Linux, Mac e Windows;
  2. Ele não precisa ser instalado: você pode baixá-lo da internet e usá-lo diretamente da pasta;
  3. Trata-se de um programa é extremamente estável e confiável. Não estamos falando por falar, estamos usando o Blender para editar vídeos em projetos complexos e com prazos definidos, como neste exemplo;
  4. Ele é o mais próximo temos de uma única suíte para fazer tudo: ele edita vídeos 2D, faz animações 3D, possibilita tratamento de imagens simples (na própria interface de edição 2D) ou complexas (na interface de Compositing Nodes), e faz tarefas avançadas como camera tracking, para máscaras de tratamento de imagem animadas ou estabilização de câmera;
  5. O Blender possui uma API acessível em Python, o que significa que ele é extremamente expansível. Se há limitações em alguma função, podemos criar plugins que suprem essas carências. Fizemos isso com a série de addons blender_velvet, que melhoram a fluidez na edição de vídeo e fazem o Blender se comunicar com o Ardour, para finalização do áudio;
  6. É possível editar usando proxies, o que permite a edição de vídeos em full HD (1080p) em máquinas não tão potentes como Dual Cores e sem requerer muita memória RAM: 4 GB são suficientes;
  7. Finalmente, o software é mantido por uma Fundação e possui uma comunidade bastante ativas – há lançamentos constantes de novas versões, assim como de novos plugins. Se você gosta do programa, pense em fazer uma doação pros caras – eles merecem!

Hoje, a principal desvantagem em usar o Blender como editor de vídeo está na parte de áudio. O programa não possui monitoramento dos níveis de áudio “de fábrica”, só permite fazer pan de áudios mono e apresenta um texto irritante com o nome e caminho do arquivo de origem na frente da onda sonora, como vemos abaixo:

blender_audio

Na verdade, tudo isso pode ser contornado de forma relativamente simples. Para monitorar os níveis de áudio, pode-se usar o Blender com o Jack e abrir algum programa como o jkmeter, como se vê neste post. Para fazer pan nos áudios, é só escolher uma opção chamada “Use mono”, que está obscura na interface atual mas a trouxemos à tona na interface modificada pelo blender_velvet. E é possível se esquivar do texto e ver a onda sonora dando um zoom na fixa de áudio, na hora do corte.

Em suma: há limitações, como todo software. Elas podem ser contornadas, ao mesmo tempo em que é compreensível que algumas pessoas se assustem com elas. Mas, em última análise, as vantagens do Blender compensam em muito suas desvantagens. Além disso, em um projeto complexo, o mais comum é que o áudio passe para alguém encarregado disso, um especialista nesta área. Para isso fizemos o pugin ::blue_velvet::, que exporta a linha do tempo de áudio para o Ardour, um programa DAW completo.

Configurações gerais para vídeo

Para sair da clássica tela inicial do Blender, com o cubo, escolha a opção de tela “Video Editing”, como visto abaixo:

01_tut_blender


Na tela de Video Editing, marque a opção “AV-Sync” (abaixo):

02_tut_blender


Entre nas Preferências do Blender, usando o atalho Ctrl+Alt+U. Na primeira aba, de “Interface”, marque/desmarque ou escolha as opções conforme a tela abaixo:

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O mesmo vale para a aba “Editing” (abaixo):

04_tut_blender


Por padrão, o Blender usa o botão direito do mouse para selecionar as coisas, o que pode ser pouco intuitivo. Portanto, talvez você queira mudar isso na aba “Input” (abaixo):

05_tut_blender


Na aba “File”, podemos definir uma pasta de destino padrão para salvar os arquivos de render. Desmarcar a opção “Save Preview Images” é uma das principais responsáveis por conter o uso de memória RAM durante a edição – com ela desmarcada, o risco de o Blender requerer mais memória do que você tem disponível na sua máquina é praticamente inexistente, deixando o programa extremamente estável (abaixo):

06_tut_blender


Já na aba “System”, as configurações de áudio normalmente vão corresponder às da tela abaixo. A amostragem de 48 kHz e gravação a 16 bits costumam ser padrão para câmeras de vídeo. Se você tem o Jack instalado na máquina, é nesta seção onde ele deve aparecer como opção. A seção “Compute Device” permite que você escolha renderizar por GPU, caso você tenha CUDA instalado da sua máquina, o que atualmente vale mais para uso de animações 3D do que para vídeos 2D. Finalmente, é em “International Fonts” onde você pode escolher se quer usar o Blender como está, em inglês, ou se quer a interface traduzida para o Português. Este tutorial usará a interface em inglês como base (note que ela está desmarcada na tela abaixo). Ao final de tudo, salve essas configurações clicando em “Save User Settings”. Desta forma, sempre que você abrir o Blender, elas já estarão ativas.

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Para que o Blender já inicie na interface de vídeo das próximas vezes que você abrir o programa, clique em “Save Startup File” no menu principal (atalho Ctrl+U).

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Instalando plugins/addons


O Blender não é muito prático para editar vídeos do modo como ele vem “de fábrica”, então você vai querer instalar a extensão e os novos atalhos que permitem agilizar o processo. Entre no site do GitHub blender_velvet e clique no botaõ “Download ZIP”, como mostra a imagem abaixo:

git_hub


No Blender, entre novamente na tela de Preferências, usando o atalho Ctrl+Alt+U. Na aba “Addons”, clique em “Install from File…” (abaixo):

09_tut_blender


Navegue até a pasta blender_velvet-master, que você baixou do GitHub, e selecione o plugin velvet_goldmine.py. Clique em “Install from File…” (abaixo):

10_tut_blender


O plugin aparecerá na tela. Clique na caixinha à direita para habilitá-lo, como se vê abaixo:

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Como se vê na documentação do plugin, na página do GitHub, o velvet_goldmine só funciona se acompanhado dos atalhos correspondentes às novas funções. Como os novos atalhos modificam alguns padrões do Blender, é importante que as pessoas saibam que os estão mudando (pois sempre se pode voltar aos atalhos padrão do programa por esta mesma tela). A lista completa dos novos atalhos também está na página do GitHub. Para importá-lo, entre na aba “Input” e clique em “Import Key Configuration…” (abaixo):

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Os atalhos estão na mesma pasta blender_velvet-master do plugin. Selecione velvet_shortcuts.py e clique em “Import Key Configuration…” (abaixo):

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Note que os novos atalhos já são carregados e estão funcionais. Para voltar aos atalhos padrão, selecione “Blender (default)” na caixa em destaque na tela abaixo (na qual aparece “Velvet Shortcuts”). Finalmente, clique em “Save User Settings” para fazer com que o Blender carregue a extensão e os novos atalhos ao iniciar.

14_tut_blender


Se você quiser um vídeo inicial explicando as novas funções deste plugin, veja abaixo – faremos um novo, mais enxuto e direto assim que possível:





Finalização: exportando a linha do tempo de áudio para o Ardour

ardour github_blendervelvet


Ao final da edição do seu vídeo, talvez você queira fazer o tratamento de áudio em um programa dedicado a isso, como o Ardour. Para isso, use a extensão ::blue_velvet::. Vimos, acima, como baixar e instalar a extensão ::velvet_goldmine:: do GitHub blue_velvet. Siga os mesmos passos descritos: entre na tela de Preferências do Blender usando o atalho Ctrl+Alt+U e entre na aba “Addons”. Lá, escolha “Install from File…” (abaixo):

09_tut_blender


Escolha o plugin blue_velvet.py, que está dentro da pasta que você baixou do GitHub blender_velvet e clique em “Install from File…” (abaixo):

15_tut_blender


Marque a caixinha à direita para habilitar a extensão (veja imagem abaixo). À esquerda, há uma seta que abre o menu de preferências do plugin e, ali, vemos o caminho que leva para o FFMPEG. Para usar a extensão, é necessário ter o programa FFMPEG presente no sistema, mesmo que não instalado. O blue_velvet tenta reconhecer automaticamente uma versão instalada, mas, especialmente para usuários Windows, é possível que o programa não esteja instalado, mas em uma pasta local. Em outras palavras, a pessoa baixou um FFMPEG que pode ser executado sem que precise ser instalado, usando os links do site do programa como referência. Se este é o seu caso, clique no ícone da pastinha e aponte onde está sua versão do FFMPEG. Finalmente, clique em “Save User Settings” se quiser que a extensão seja carregada sempre que o Blender for iniciado.

16_tut_blender


O vídeo abaixo mostra como funciona este plugin – faremos um novo assim que possível:


Written by qazav_szaszak

4 de novembro de 2013 às 16:11

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